CentroSul Notícias
 
Notícias- Expediente- Contatos 
 
 
Notícias
Metade dos brasileiros concorda que uma mulher que interrompe a gravidez intencionalmente deveria ir para a cadeia, diz pesquisa
Publicado por:   em 04/12/2017

Você conhece alguma mulher que realizou um aborto? Quase metade dos brasileiros - 45% - acima de 16 anos respondeu que sim. Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Locomotiva e a Agência Patrícia Galvão, divulgados nesta segunda-feira (4).

A pesquisa entrevistou 1.600 pessoas, entre homens e mulheres, com 16 anos ou mais, de 12 regiões metropolitanas do Brasil no período de 27 de outubro a 6 de novembro.

O levantamento também aponta que o índice é ainda maior quando respondido pelo público feminino. 52% conhece alguma mulher que interrompeu a gravidez. A pergunta não especifica se é aborto legal ou não, mas estima-se que a maioria é clandestino.

Apesar da proximidade com o tema, um quarto dos entrevistados - 26% - declara ser favorável a que as mulheres possam decidir por interromper a gravidez.

O número já foi mais baixo, segundo Tânia Lago, especialista em saúde da mulher e direitos reprodutivos e professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Na última pesquisa realizada em parceria com o Ibope em 2003, com o mesmo perfil de entrevistados do levantamento desta segunda, não passava de 15% o número de pessoas que apoiavam a decisão da mulher pelo aborto.

"Apesar de expressões de conservadorismo, muita gente tem refletido sobre o problema e o aumento de favoráveis me surpreendeu", disse.

Para Ana Teresa Derraik, médica obstetra e ginecologista, diretora do Hospital da Mulher Heloneida Stuart, no Rio de Janeiro, a questão não deve ser relacionada a uma opinião individual sobre o procedimento em si, mas, sim, ao direito a realizá-lo, ao acesso a tal serviço de forma segura. É absolutamente possível ser contra o aborto, mas a favor da descriminalização.

A criminalização do aborto, porém, ainda é bem vista por metade da população. 50% dizem concordar que uma mulher que interrompe a gravidez intencionalmente deva ser presa. Porém, quando se trata de alguém próximo, 47% não faria nada se descobrisse que uma amiga interrompeu a gravidez. Apenas 7% acionaria a polícia.

A polícia também é pouco citada quando questionados sobre a quem compete o debate do tema. Cerca de 8 em cada 10 brasileiros acreditam que a discussão do aborto no Brasil é uma questão de saúde pública ou de direitos, o que mostra a contradição nas opiniões.




Galeria  de Fotos
    Não existem fotos cadastradas para essa notícia!

 
 
Publicidade
Todos os direitos reservados, site desenvolvido por